quinta-feira, 3 de março de 2011

Uma nota aos meus leitores

A confiança construída ao longo deste ano, em que nos encontramos, por aqui me permite compartilhar com vocês momentos importantes da minha vida. Nesta data por exemplo, dia 03 de março, faz um ano que minha querida mãe faleceu. Lembro-me das horas de agonia diante da morte e do medo de continuar sem tê-la por perto. 

Hoje, passado um ano daquele dia de despedida, venho convidar vocês para a missa de 1 ano de saudades que será celebrada neste sábado (05) às 16h na Igreja Matriz de Santo Antônio, em Marcelino Vieira-RN. 


Desde já, em nome da família, agradeço a todos aqueles que estiveram sempre conosco compartilhando da dor e da nossa saudade.


Nas asas da saudade: Minha mãe é um anjo.

Ilustração: Kurt Halsey
Eu nunca tive dúvidas de que minha mãe fosse um anjo. Pra confessar eu nunca vi suas grandes asas. Mas nem por isso eu duvidei que elas existissem.

Eu lembro que ela me contou inúmeras vezes que passara a noite voando. Eu morria de inveja porque nunca tive sonhos assim. Ela dizia que a sensação era muito boa. Era sensação de liberdade. Eu sempre ficava impressionada quando ela me contava. Quem sabe não fosse um jeito discreto de me mostrar que anjos existem, e que é preciso crer no impossível? Talvez fosse naquele momento a confissão de anjo da guarda. De anjo que vela o sono, levantando a cortina várias vezes da noite prá ver se eu e minha irmã estávamos dormindo. De anjo que poderia estar em vários lugares ao mesmo tempo. Lembro que nos meus instantes febris, ela não largava de mim, mas sempre dava um jeito de preparar algo  pra que eu ficasse bem. Isso é coisa de anjo! E se antes eu não tinha dúvidas, hoje eu tenho certeza que ela sempre foi anjo. Ela continua me guardando. A diferença é que agora pode me acompanhar pra todos os cantos.
...bem que eu desconfiava...eu tinha um anjo em casa. Eu tenho um anjo na minha vida.

...
Preciso compartilhar com vocês esse texto que encontrei. É que hoje pareço não ter outro sentimento que me mova, a não ser a saudade. E ela fica impregnada em meu peito como forma de amor que sempre vai ficar.

“Como médico cancerologista, já calejado com longos 29 anos de atuação profissional (…) posso afirmar que cresci e modifiquei-me com os dramas  vivenciados pelos meus pacientes. Não conhecemos nossa verdadeira dimensão  até que, pegos pela adversidade, descobrimos que somos capazes de ir muito mais além.
Recordo-me com emoção do Hospital do Câncer de Pernambuco, onde dei meus primeiros passos como profissional… Comecei a freqüentar a enfermaria infantil e apaixonei-me pela oncopediatria. Vivenciei os dramas dos meus  pacientes, crianças vítimas inocentes do câncer. Com o nascimento da minha primeira filha, comecei a me acovardar ao ver o sofrimento das crianças.
Até o dia em que um anjo passou por mim! Meu anjo veio na forma de uma criança já com 11 anos, calejada por dois longos anos de tratamentos diversos, manipulações, injeções e todos os desconfortos trazidos pelos programas de químicos e radioterapias. Mas nunca vi o pequeno anjo fraquejar. Vi-a chorar muitas vezes; também vi medo em seus olhinhos; porém, isso é humano!
Um dia, cheguei ao hospital cedinho e encontrei meu anjo sozinho no quarto. Perguntei pela mãe. A resposta que recebi, ainda hoje, não consigo contar sem vivenciar profunda emoção.
- Tio, – disse-me ela – às vezes minha mãe sai do quarto para chorar escondido nos corredores… Quando eu morrer, acho que ela vai ficar com  muita saudade. Mas, eu não tenho medo de morrer, tio. Eu não nasci para  esta vida!
Indaguei:
- E o que morte representa para você, minha querida?
- Olha tio, quando a gente é pequena, às vezes, vamos dormir na cama do nosso pai e, no outro dia, acordamos em nossa própria cama, não é? (Lembrei das minhas filhas, na época crianças de 6 e 2 anos, com elas, eu  procedia exatamente assim.)
- É isso mesmo.
- Um dia eu vou dormir e o meu Pai vem me buscar. Vou acordar na casa Dele, na minha vida verdadeira!
Fiquei “entupigaitado”, não sabia o que dizer. Chocado com a maturidade com que o sofrimento acelerou, a visão e a espiritualidade daquela criança.
- E minha mãe vai ficar com saudades – emendou ela.
Emocionado, contendo uma lágrima e um soluço, perguntei:
- E o que saudade significa para você, minha querida?
- Saudade é o amor que fica!
Hoje, aos 53 anos de idade, desafio qualquer um a dar uma definição melhor, mais direta e simples para a palavra saudade:    é o amor que fica!”

Enquanto você vive pra dentro o mundo aqui fora desaba...



Então porquê, não podemos mudar
E não adianta só eu tentar
Se for assim o meu
Mundo vai desabar, vai desabar
(Lyse)

Uma história bonita, em um tempo bom



Eu não sei se daqui algum tempo a gente ainda vá se encontrar. 
É provável que a gente se esbarre por aí. 
Pelos caminhos que se cruzarem. 
Mas a nossa história, essa ficou pra trás. 
Em um tempo bonito. 
Um tempo bom. 
Não com o fim que merecia, 
mas com um enredo memorável e um início inesquecível. 
E se a saudade bater, 
a gente pode lembrar a nossa música.

... 
Imagem Daqui

Há exatamente um ano atrás...


Fazia uns poucos minutos daquela notícia tão triste. Fazia poucos minutos que eu tinha ficado rouca sem falar. Nessa hora eu estava sem chão. 

Saudades, mainha!

quarta-feira, 2 de março de 2011

É que os dias todos que passo sem ti parecem os mais pesados.


E cada vez que eu venho aqui falar de minha mãe parece que eu desabo. E eu que tenho me sustentado tanto pra não cair, parece que deixo cair sobre mim todos os medos e as dores que eu tentava contornar. É que eu tento abraçar isso tudo. Guardar numa caixinha. Jogar pro alto. Mas tem horas que não dá. E eu me desarmo toda, querendo colo.

a dor de um ano atrás...que me segue pra sempre.

...é que agora me recordo daquele dia de agonia como se agora eu pudesse voltar um ano deste calendário, precisamente. Lembro-me das horas ligeiras entre a dor e a dose. Lembro-me dos meus músculos tensionados, e dos olhos forçosos pra não chorar. Lembro-me da pressa de não ser essa a história que eu tenha de recordar. Lembro dar dor que senti nos instantes de febre e cefaleia. Lembro-me daquela mão na minha acompanhada de olhares tão profundos. E lembro que eu não sabia, de jeito nenhum, como ia ser depois de tudo.

E aquela noite no hospital não sairá jamais de minha mente. E as lembranças estão aqui. Vivas. Doendo tanto...

Que estejas em paz com Deus, como sempre estivera.
As saudades serão pra sempre minha mãe.

terça-feira, 1 de março de 2011

‘Não sou boa com as palavras’.



Disseram-me que sou boa com as palavras. Mas nesse caso, ser boa não é bom. É que com as palavras as coisas não funcionam nessa lógica. Aliás, nem sei se existe lógica nisso. Quanto mais a gente acha que tem intimidade, mas elas nos intimidam. Correr atrás implica resistência e equilíbrio, afinal, às vezes são fugazes, malandras e labirintam nossas ideias. Mas eu gosto das palavras. Talvez por serem simultaneamente tão intensas e neutras. Tão de todos e tão reservadas. Talvez por percorrerem todos os cantos, e ainda assim, manterem sua essência.Eu as desafio do meu jeito. Porque não sei se resistiria viver sem elas. E eu repito comigo: ‘Não sou boa com as palavras’. Elas é que são generosas com meus silêncios.


Ivanúcia Lopes