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domingo, 4 de março de 2012

...a saudade é sem fim.

Depois que minha mãe se foi veio a saudade ficar comigo. Ela montou uma barraquinha bem dentro desse peito, e se mostrou de casa, se alargando pelos cantos, se mostrando nos recantos e doendo todos os dias. Uns mais do que outros, mas nunca menos.

Esses dias eu ouvi um amigo partilhar de uma dor semelhante, mesmo acreditando que a dor da despedida nunca é igual, mesmo em casos parecidos. Esse meu amigo falava-me do quanto parece importante não desistirmos, e o quanto é necessário continuar caminhando. É questão de honra, de respeito...é não permitir que os sonhos acabem apenas porque uma das partes que também sonhava não estar presente fisicamente ao nosso lado. 

Eu acho justo viver com saudade. Não creio que seja dor, apenas. Acho justo chorar pela falta, e acho justo rir de “vezenquando” com as lembranças boas que essa saudade revela. Na verdade, é essa saudade que agora faz parte de mim que, além de doer, também me arranca um riso sempre que lembro de minha mãe. Porque as lembranças boas elas não se foram, e onde eu estiver, faço questão de revivê-las.

O calendário marca dois anos, mas a dor é sempre de hoje. E a saudade é sem fim.

E não é porque estamos aprendendo a conviver com a saudade que as coisas ficaram mais fáceis. Continuam difíceis demais. Continuam pesadas também. Mas não há o que fazer, senão agradecer a Deus pelos anos vividos, e rogar por força para viver tantos outros.
E se a experiência da despedida é dolorosa até pra se ouvir contar, imagina viver! E naquele instante foi como se um pedaço de mim tivesse ido pra longe. Foi como se faltasse terra nos pés e sobrasse um longo caminho para seguir. E dessa vez, sem ela, minha guia.

Aquele instante foi como um pesadelo. Mas eu não acordei. E quando dei por mim, ela já não me acalentava. E a gente precisou seguir sem ela pra nos apontar o caminho. A gente precisou seguir sem ela pra fazer as malas, pra nos dá a benção, ou pra nos telefonar e perguntar se estávamos precisando de alguma coisa. Hoje a gente precisa de muita coisa, mas não a ouvimos mais perguntar. A gente fala com Deus para não nos deixar faltar a vontade de viver, e para nos permitir ser pessoas boas como ela sempre quis que fôssemos.
E a gente segue a vida. Precisando de mãe. Mas sem tê-la o tempo todo fisicamente. Mas a gente segue os dias, honrando nossos sonhos que também eram delas. E vivendo nossa vida, que foi dela primeiro, para só depois ser da gente.

Continua difícil. E nós já sabemos que assim será. Para sempre. Continua um vazio onde ela poderia estar: na mesa, no quarto, na casa toda. Mas continua tudo cheio de amor, porque ela nunca deixou faltar.

Que a paz de Deus esteja sempre contigo, como sempre estivera.
Seremos eternamente gratas.

A Deus por nos ter dado a vida, e a senhora por nos ter dado a luz.

Saudades, minha mãe. Que a gente não se perca pela tua ausência, e que a gente se encontre em cada lembrança. Porque a saudade é sem fim.

Suas filhas: Ivanúcia e Nubinha e todos os familiares.



PS.: Texto lido na missa de 2 anos de falecimento, neste domingo (04/03/2012)

sábado, 3 de março de 2012

...a saudade é eterna.






O calendário marca dois anos, mas a dor é sempre de hoje. 


E não é porque estamos aprendendo a conviver com a saudade que as coisas ficaram mais fáceis. Continuam difíceis demais. Continuam pesadas também. Mas não há o que fazer, senão agradecer a Deus pelos anos vividos, e rogar por força para viver tantos outros.

sábado, 19 de novembro de 2011

Saudade

Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...


Saudade é amar um passado que ainda não passou,

é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida...

Saudade é sentir que existe o que não existe mais...


Saudade é o inferno dos que perderam,

é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam...

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:

aquela que nunca amou.

E esse é o maior dos sofrimentos:

não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.

O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.

 Pablo Neruda

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Soneto: A partida de um anjo

Quando meu anjo partiu fazia sol
O céu estava azul clarinho
Vi pelo vidro ainda cedinho
Antes que eu ficasse assim tão só.

A noite toda naquele hospital
quando recordo sinto um aperto
Ela tomava meu braço direito
Olhava profundo e eu ficava mal.

Era tão cedo, mas estava no fim
Olhava como alguém que implora
Pra que o mundo não se apague assim.

Quando meu anjo mãe foi embora
O dia claro escureceu pra mim
Hoje com o céu azul, meu peito chora.

domingo, 6 de março de 2011

Faz um ano que sua ausência me acompanha

De repente - ou não de repente, mas tão aos pouquinhos, e tão igual todo dia com essa saudade, num piscar de olhos, num virar de página - passou-se muito tempo.
Já faz um ano. Faz um ano que ela partiu. Faz um ano que não mais acordo com ela empurrando minha porta antes de ir pra escola. Faz um ano que não mais recebo a benção duas três vezes antes de dormir, com medo de ter esquecido. Faz um ano que eu chego em casa, vindo da rua, e não a encontro em nenhum canto da casa vindo até mim com aquele riso de quem me esperava ansiosa pra contar qualquer coisa. Faz um ano que eu venho me acostumando com essa dor preenchendo meus vazios. E desde o dia que ela morreu, que levo a vida buscando um norte, tentando a sorte, me fazendo de forte...
E eu olho pra todos os cantos que sempre olhei. Faço coisas parecidas com as que sempre fiz, só pra encontrá-la. Reconto histórias só pra lembrar daquele jeito tão dela. Só pra imaginar seu riso ou seu franzir de testa quando nos alertava alguma coisa. E refaço os caminhos que eu já fiz, só pra encontra-la na estrada e oferecer carona no meu peito, que é o seu lugar.
Mas nesse momento parece que a dor vai se alargando. Preenchendo os espaços deste peito e desta vida cheia de planos mal acabados. Planos que se reconstroem com a força que ela nos ensinou a ter, e outros que já não fazem sentido tê-los.
E eu canto. E eu corro. E eu topo de frente com gente que julga o riso e a lágrima. E eu topo de frente com gente que cuida. E eu topo de frente com a vida que pede pra eu viver, apesar da dor.
E eu falo pra ela agora, porque sei que ela me escuta.
Sabe mainha, seu amor continua fazendo cócegas em mim. E acho bom sorrir pensando em ti. Mas às vezes não consigo. E fico achando que preciso desemperrar as portas pra poder te encontrar do outro lado com os braços abertos e com aquele sorriso torto que me faz tanta falta.
Fico achando que sem tua direção. Teu apoio e teu cuidado a gente não vai conseguir.
E foram tão difíceis esses dias.
Tenho olhado constantemente pro céu tentando te ver. Porque dentro de casa não te vejo mais. Só te tenho aqui, dentro de mim. Do alto tenho a impressão de que foi tudo um sonho, e de repente, meu anjo vai cair do céu pra não me deixar sozinha.
Esse ano inteiro esbarrando nesta dura realidade que me quebra a cara, parte meu coração em pedaços, e me faz querer teu colo. Sempre.
E sinto falta da sua fé de cada dia, de todo dia.
     Não quero entender porque que as pessoas que a gente ama acabam indo tão cedo. No fundo a gente não tem muito que entender, a gente tem muito o que sentir. E o que sentimos é saudade. É quando a gente procura e não acha. Quando a gente chora, e continua sem o colo. Quando a gente sente falta de quem só foi amor, noite e dia. 
A saudade que arranjou pouso neste lar, comportou-se em nossas vidas como parte dela. Faz um ano que teu lugar na mesa está vazio. Faz um ano que a nossa vida mudou. Repentinamente. Radicalmente. Faz um ano que eu tento caminhar com meus pés, e às vezes, mesmo quando eu dou pulos, continuo com a sensação que eu só me arrasto. 
E Tom Jobim cantava...são as águas de março fechando o verão. É a promessa de vida em nosso coração. E eu digo: São as águas de março que ora nos lava. São as aguas de março que nos afogam em lembranças.
 
Esteja com Deus, como sempre estivera. 
Está sendo tudo muito difícil. E talvez seja mais difícil ainda daqui pra frente.
Descanse em Paz e esteja sempre com Deus. E que Deus esteja conosco.

Saudades Eternas.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Há exatamente um ano atrás...


Fazia uns poucos minutos daquela notícia tão triste. Fazia poucos minutos que eu tinha ficado rouca sem falar. Nessa hora eu estava sem chão. 

Saudades, mainha!

quarta-feira, 2 de março de 2011

a dor de um ano atrás...que me segue pra sempre.

...é que agora me recordo daquele dia de agonia como se agora eu pudesse voltar um ano deste calendário, precisamente. Lembro-me das horas ligeiras entre a dor e a dose. Lembro-me dos meus músculos tensionados, e dos olhos forçosos pra não chorar. Lembro-me da pressa de não ser essa a história que eu tenha de recordar. Lembro dar dor que senti nos instantes de febre e cefaleia. Lembro-me daquela mão na minha acompanhada de olhares tão profundos. E lembro que eu não sabia, de jeito nenhum, como ia ser depois de tudo.

E aquela noite no hospital não sairá jamais de minha mente. E as lembranças estão aqui. Vivas. Doendo tanto...

Que estejas em paz com Deus, como sempre estivera.
As saudades serão pra sempre minha mãe.

domingo, 4 de abril de 2010

A falta que me sobra...




Sim. Eu tentei começar de outro jeito. Tentei rodear para escolher a palavra certa, mas elas resolveram me faltar no momento mais especial, assim como a senhora. Não que fosse de ti deixar-me sozinha, longe de mim pensar desse jeito. Não que fosse de Deus deixar-nos sozinhos, longe de nós crermos nisso. Mas de tudo, ainda sobrevivo, e faço improviso. E ando sobre aviso. E faço o que for preciso pra que não se apague sua imagem, nem seu sorriso.

E nas respostas do dia a dia, vamos indo. E às perguntas dos amigos, vamos indo. E de tudo isso, nós vamos indo. Porque nos parece que ir bem nos remete a tê-la em nossas vidas. E vamos indo. E assim se vão os dias. E parece que os dias vão seguindo em tons de cinza. Sem cores. Sem luz. Sem ti.

E de quatro que éramos um, somos três sentindo a falta de ser um todo.  Porque, como vês, falta uma parte de nós: falta a rima desses versos doídos, nestes dias tão cinzentos molhados pelas lágrimas, umas contidas, outras desenfreadas.

Falta a parte mais doce que transforma o amargor em ternura, e nos enche de cuidados.
Falta a parte sábia que nos ensina com proeza e se reveste de humildade.
E na falta desse todo, vamos indo esses dias...e teremos que ir nos outros.
E logo cedo, sem o gosto do café de mainha.
Sem o sorriso de quem mesmo acordando de madrugada dava conta de nos acordar fazendo brincadeiras, ou de silenciar para nos deixar dormir mais um pouquinho.

E vamos indo, sem a serenidade e a paciência de quem se fazia mil, mas soubera ser única.
Sem a paciência de quem zela pelo amor da sua vida.
Sem a dedicação de quem ama qualidades e defeitos.
Sem a delicadeza de quem falava ao telefone para saber como sua filha passa.
E sem a alegria de quem nos abraçava quando chegávamos de longe, ou até mesmo do outro lado da rua.
E eu vou indo. Sem a compreensão de quem conhecia meu humor, e sabia dosar o acalento sem permitir-se dobrar aos quereres de uma jovem em crise.

E agora, quando de vez em quando essa ficha vai caindo, sinto tudo mais duro ainda. Sinto o peso de meus passos sem tê-la ao lado deles, e tenho medo de cair e não tê-la do meu lado pra dar a força de sempre.

Porque não sei se conheci alguém que acreditasse tanto em mim como ela.
E talvez, por isso também, as coisas estejam ficando mais difíceis. E os dias vão-se indo sem a leveza de seu caminhar por entre os cantos da casa. Sem a precisão de suas ações. Sem o claro e bom tom de suas conversas. Sem seu encanto. Sem o contentamento de quem amava a vida com toda sua força, e soubera dar força a quem mais precisava.

E vai-se indo os dias. Não menos corrido, mas com menos sentido.
E vai-se indo os dias.
E resignamo-nos à dor de não te ver do nosso lado e de dizer aos outros que vamos indo.
E vamos indo com a saudade no peito...sentindo falta.
Falta do cheirinho de café...
Falta de quem gostava de nos enfeitar.
Falta das palavras de carinho.
Do perfume de suas mãos...
Do seu caminhar do nosso lado...
Do bolo de chocolate que fazias só pra mimar.
Das preocupações com nossas preocupações.
Do seu riso no tom do nosso...
De sua sabedoria, de sua humildade...
E vamos sentindo falta.
Falta de tudo.

E tudo perdura na falta que sobra.

Falta da mãe que nunca deixara de ter em casa duas meninas... de uma mãe que se doía com nossas febres, cólicas e tristezas. Que não tinha sono se não fosse o nosso o primeiro, mesmo quando o relógio corria e a gente chegava em casa bem depois das 10.

Falta da mãe que não tinha outra coisa em si senão o amor, pela vida, pela família, pelo casamento, pelos irmãos, pela igreja, pelos amigos...Era tanto amor que lhe sobrava pelos cantos...e se mostrava em seu olhar, em suas mãos, em ti, completamente.

Falta da mãe amiga, sem ambição, que além do que conseguira ser, no fundo queria ser sempre mais. Da mãe que sempre quis está mais perto: de nossos sonhos, nossos amores, nossas conquistas, nossas fraquezas... Falta da mãe alegre, cheia de graça, cheia de riso, cheia de Deus. E penso no choro infantilizado, ceifado em teu colo. Do mimo do dia a dia, do aconchego em meus cabelos, dos elogios mais francos, dos alertas mais maduros, do sorriso mais sincero...da minha mãe.

E no embalo dessa falta que me sobra, sinto o vazio de não vê-la com meu pai. Sinto a dor de vê-lo repartido. Sinto a dor de não te ver, mainha. Sinto a angustia de todos os familiares...Sentindo saudade.

Que seus exemplos continuem vivos.

E que a tua fé, minha mãe, seja estimulo de fortalecimento da nossa, para que acreditemos em dias menos cinzentos.

Que o amor de Deus conforte estes dias que vão indo.




Te amarei para sempre. 

Saudades Eternas




segunda-feira, 2 de novembro de 2009

A frase de hoje..

A morte nada mais é do que uma passagem, uma transformação.
Não existe planta sem a morte da semente
Não existe embrião sem a transformação do óvulo e do espermatozóide
Não existe borboleta, sem a morte da lagarta.
Não existe salvação sem a morte do "velho homem"...
A morte nada mais é do que um ponto de partida para algo novo, é a fronteira entre passado e futuro.