Vi uma estrela tão alta e fria, como a de Bandeira.
E me senti tão vazia.
Um ser distante. Estranho. Feito lagarta listrada.
Feito bicho solto na imundície.
Feito louca. Rastejando e sendo olhada.
Quis pegar o trem de ferro para ir visitar o rei.
Passar o dia a toa. Feito andorinha.
E ver a estrela da manhã, só minha.
Quis ser feliz nas ondas do mar. Esquecer tudo e descansar.
A eternidade está longe, mas ainda no meu destino
Eu quero, como o poeta, a delícia das coisas simples.
E talvez ainda me reste, ensaiar um tango argentino.
Sem pensar na arte de amar, sem querer aquele menino.
E se fosse pra mim o conselho pra Tereza
Eu teria te ouvido, Bandeira.
Porque estou farta desse sujeito sentimental.
Com lágrima e sem coração.
E eu que já tomei tristeza, levaria essa lição.
Vou mimbora.
Vou depressa.
Vou correndo.
Bandeira tinha razão.
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sexta-feira, 29 de julho de 2011
Bandeira tinha razão.
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Ivanúcia Lopes,
Manuel Bandeira
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Arte de amar
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A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus - ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.
Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
Porque os corpos se entendem, mas as almas não.
Manuel Bandeira
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Manuel Bandeira
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