sexta-feira, 16 de abril de 2010

Saudade de Mãe

Coloquei o filtro da arte naquela cena comum, e a luz - que
até então estava escondida -, veio surpreender-me com seu
poder de claridade.

A mulher simples, mãos calejadas de lida rotineira,
mulher que aprendeu a curar as dores do mundo
a partir de meus joelhos esfolados de quedas e estrepolias.
Aquela mulher, minha mãe, rosto iluminado pela labareda que tinha origem no fogão de lenha. Trazia consigo o dom de me
devolver a calma, que a vida tantas vezes insistiu em me roubar.

Aquela cena: mulher, fogão de lenha, panela preta escondendo a brancura de um arroz feito na hora. É uma das cenas mais preciosas que meu coração não soube esquecer.
Saudade de mãe é coisa sem jeito, chega quando menos
imaginamos: um cheiro, uma melodia, uma palavra... uma
imagem, e eis que o cordão do tempo,
nos convida ao retorno da infância.

Como se um fio nos costurasse de novo ao colo da mulher que primeiro nos segurou na vida e agora nos pudesse regenerar.
Saudade de mãe é ponte que nos favorece um retorno a nós mesmos;
travessia que borda uma identidade muitas vezes esquecida,
perdida na pressa que nos leva.

Saudade de mãe é devolução, é ato que restitui o que se parte;
é luz que sinaliza o local do porto,
é voz no ouvido a nos acalmar nas madrugadas de desespero e solidão,
através de uma frase simples: Dorme meu filho! Dorme!

Hoje, nesse dia em que a vida me fez criança de novo,
neste instante em que esta cena feliz tomou conta de mim,
uma única palavra eu quero dizer: Oh minha mãe, que saudade eu sinto de você!



(Padre Fábio de Melo)

Mais medo


Não sei pra onde foi aquela coragem que eu tinha.
Não sei como vai ser dessa vida que não é só minha.
Não tenho mais os mesmos planos, nem sei mesmos se eu os tinha.
Se eu sonhei, não fiz isso sozinha.
Se lutei, a vitória não foi minha.
Se chorei, o acalento foi mainha.
E hoje, e amanhã?!
Tenho mais medo do que eu já tinha.

Tudo e Nada

"Isso não é tudo"
"Isso não é nada"
Ou isso é, ou isso não é."
Não preciso de tudo pra ser feliz. Isso é grande pra mim, e completude sem espaços é um nada. Mas eu também não quero nada. 
O fato é que não vivo nem de "tudos" nem de "nadas", só das migalhas que restam.

sábado, 10 de abril de 2010

Uma rima pra mainha.

Como eu queria fazer um poema que fosse só teu.
Do inicio ao fim.
Mas não consigo rimar assim:
Minhas coisas sem ti, e suas coisas sem mim.
E sigo sem rima. Na rua, sem rumo. Num rio, sem remo.
Com versos que desconversam. Que saem pra todos os lados.
Um poema febril, sem regra, sem métrica, sem sentido, desordenadamente, pesado, doído.

E na frustração de querer poetizar. E no rumo dessas palavras que se perdem, achou-se uma rima sorrindo, remando num rio de lágrimas, pra dizer que o poema se fez. E que é só teu.

domingo, 4 de abril de 2010

A falta que me sobra...




Sim. Eu tentei começar de outro jeito. Tentei rodear para escolher a palavra certa, mas elas resolveram me faltar no momento mais especial, assim como a senhora. Não que fosse de ti deixar-me sozinha, longe de mim pensar desse jeito. Não que fosse de Deus deixar-nos sozinhos, longe de nós crermos nisso. Mas de tudo, ainda sobrevivo, e faço improviso. E ando sobre aviso. E faço o que for preciso pra que não se apague sua imagem, nem seu sorriso.

E nas respostas do dia a dia, vamos indo. E às perguntas dos amigos, vamos indo. E de tudo isso, nós vamos indo. Porque nos parece que ir bem nos remete a tê-la em nossas vidas. E vamos indo. E assim se vão os dias. E parece que os dias vão seguindo em tons de cinza. Sem cores. Sem luz. Sem ti.

E de quatro que éramos um, somos três sentindo a falta de ser um todo.  Porque, como vês, falta uma parte de nós: falta a rima desses versos doídos, nestes dias tão cinzentos molhados pelas lágrimas, umas contidas, outras desenfreadas.

Falta a parte mais doce que transforma o amargor em ternura, e nos enche de cuidados.
Falta a parte sábia que nos ensina com proeza e se reveste de humildade.
E na falta desse todo, vamos indo esses dias...e teremos que ir nos outros.
E logo cedo, sem o gosto do café de mainha.
Sem o sorriso de quem mesmo acordando de madrugada dava conta de nos acordar fazendo brincadeiras, ou de silenciar para nos deixar dormir mais um pouquinho.

E vamos indo, sem a serenidade e a paciência de quem se fazia mil, mas soubera ser única.
Sem a paciência de quem zela pelo amor da sua vida.
Sem a dedicação de quem ama qualidades e defeitos.
Sem a delicadeza de quem falava ao telefone para saber como sua filha passa.
E sem a alegria de quem nos abraçava quando chegávamos de longe, ou até mesmo do outro lado da rua.
E eu vou indo. Sem a compreensão de quem conhecia meu humor, e sabia dosar o acalento sem permitir-se dobrar aos quereres de uma jovem em crise.

E agora, quando de vez em quando essa ficha vai caindo, sinto tudo mais duro ainda. Sinto o peso de meus passos sem tê-la ao lado deles, e tenho medo de cair e não tê-la do meu lado pra dar a força de sempre.

Porque não sei se conheci alguém que acreditasse tanto em mim como ela.
E talvez, por isso também, as coisas estejam ficando mais difíceis. E os dias vão-se indo sem a leveza de seu caminhar por entre os cantos da casa. Sem a precisão de suas ações. Sem o claro e bom tom de suas conversas. Sem seu encanto. Sem o contentamento de quem amava a vida com toda sua força, e soubera dar força a quem mais precisava.

E vai-se indo os dias. Não menos corrido, mas com menos sentido.
E vai-se indo os dias.
E resignamo-nos à dor de não te ver do nosso lado e de dizer aos outros que vamos indo.
E vamos indo com a saudade no peito...sentindo falta.
Falta do cheirinho de café...
Falta de quem gostava de nos enfeitar.
Falta das palavras de carinho.
Do perfume de suas mãos...
Do seu caminhar do nosso lado...
Do bolo de chocolate que fazias só pra mimar.
Das preocupações com nossas preocupações.
Do seu riso no tom do nosso...
De sua sabedoria, de sua humildade...
E vamos sentindo falta.
Falta de tudo.

E tudo perdura na falta que sobra.

Falta da mãe que nunca deixara de ter em casa duas meninas... de uma mãe que se doía com nossas febres, cólicas e tristezas. Que não tinha sono se não fosse o nosso o primeiro, mesmo quando o relógio corria e a gente chegava em casa bem depois das 10.

Falta da mãe que não tinha outra coisa em si senão o amor, pela vida, pela família, pelo casamento, pelos irmãos, pela igreja, pelos amigos...Era tanto amor que lhe sobrava pelos cantos...e se mostrava em seu olhar, em suas mãos, em ti, completamente.

Falta da mãe amiga, sem ambição, que além do que conseguira ser, no fundo queria ser sempre mais. Da mãe que sempre quis está mais perto: de nossos sonhos, nossos amores, nossas conquistas, nossas fraquezas... Falta da mãe alegre, cheia de graça, cheia de riso, cheia de Deus. E penso no choro infantilizado, ceifado em teu colo. Do mimo do dia a dia, do aconchego em meus cabelos, dos elogios mais francos, dos alertas mais maduros, do sorriso mais sincero...da minha mãe.

E no embalo dessa falta que me sobra, sinto o vazio de não vê-la com meu pai. Sinto a dor de vê-lo repartido. Sinto a dor de não te ver, mainha. Sinto a angustia de todos os familiares...Sentindo saudade.

Que seus exemplos continuem vivos.

E que a tua fé, minha mãe, seja estimulo de fortalecimento da nossa, para que acreditemos em dias menos cinzentos.

Que o amor de Deus conforte estes dias que vão indo.




Te amarei para sempre. 

Saudades Eternas




sexta-feira, 19 de março de 2010

Hoje senti tanta falta...

Hoje, mais do que em outros dias, senti esse vazio dentro de mim, um vazio não de tristeza, mas de uma profunda saudade de tê-la em minha vida, de estar contigo, de vê-la presente no meu dia-a-dia, das nossas conversas, dos nossos carinhos, do seu sorriso...
 
Senti falta das ligações intermináveis, aquelas que não eram pra dizer nada, só pra ouvir minha voz e saber se estava bem...se estava comendo se estava precisando de algo...
 
Senti falta das vezes em que a senhora ligava pra perguntar como tinha sido minha prova na noite anterior, se eu estava estudando direitinho, como tinha sido meu dia de trabalho como eu estava indo na faculdade...
 
Senti falta das vezes que juntas saiamos pra comprar alguma coisa, ou das vezes que saímos pra num fazer nada só pra dar uma voltinha mesmo...
 
Senti falta do cheiro do café da manha que só a senhora sabia fazer, do bolo de leite , do de chocolate...senti falta da falta que a senhora fazia quando eu estava aqui em Patos.
 
Senti falta do almoço preparado com carinho, com amor...senti falta da lasanha tão bem caprichada, do jeito que eu gostava...
 
Senti falta do sono da tarde...onde muitas e muitas vezes tomava o lugar de painho na cama só pra estar perto de ti...talvez meu sono fosse mais tranqüilo por isso...
 
Senti falta de não mais poder te tocar...te abraçar e te dar aqueles beijos loucos que só eu sabia dar...senti falta do seu cheiro doce, da sua pele macia, das suas mãos nas minhas...
 
Senti falta dos nossos passeios nos dias de domingo, da missa que íamos juntas, dos sorvetes tomados lá na calçada de dona neném...
 
Senti falta das brincadeiras, aquelas mais sem graça possível...senti falta do nosso papo cabeça, do nosso papo besteira... senti falta das vezes que juntas deixávamos ivanucia encabulada com alguma coisa....
 
Senti falta de tudo que existia um pedaço de ti...sinto falta de tudo que ainda existe de ti!
 
Minha vida parece que perdeu um pouco da graça, perdeu o sentido, mais sei que de onde a senhora esteja esta a zelar por nós, como sempre...porque nossas vidas era sua vida, e sua vida também era a nossa...

te amo eternamente!
saudades demais!


(Mensagem de Nubinha)

quarta-feira, 10 de março de 2010

À minha mãe que se foi...

Inesperadamente.
Repentinamente.
Delicadamente.
Silenciosamente.

Foi assim que a morte deu vida a essa dor. Foi assim que a vida de minha mãe abreviou-se a despedida.

Só foram sete dias. Uma eternidade abreviada de aprendizado sem ti. De tempo que não mais usamos para partilhar ao seu lado. De tempo que não tivemos a chance de te abraçar, te beijar, acariciar seus cabelos, de correr ao teu colo e se fazer menina para roubar-lhe um, dói, ou três beijos. Agora não te temos mais aqui, em nosso meio.

E isso dói. Dói porque não aprendemos a viver sem ti. Não aprendemos a chorar sem seu consolo. Não aprendemos a andar sem que você no indicasse a direção. Não aprendemos a sorrir sem partilhar nosso riso frouxo. E não sabemos ainda, mainha, como será tudo isso.

Não sei como vai ser sentir suas lembranças nos cantos e recantos. Mas vai ser dolorido.

Não sei como dar conta dessa vida que não é só nossa, mas um tanto sua. Agora eu já não sei como chorar nem como sorrir. E não porque não tenhas nos ensinado, mas porque a sua fortaleza nos encorajava. Nos edificava e nos fazia melhores.

O meu melhor sem ti, se torna medíocre.

A minha força sem ti, agora é pequenina.

Meu olhar sem ti, agora é sem brilho, sem graça...

Porque minha mãe, rio de fortaleza, soube fluir bem na família e na comunidade. Soube alagar os passos pra driblar as dificuldades, soube renunciar para garantir nossa felicidade, soube ser humilde em todo sempre.

Sim. Minha mãe fora grande.

Fora fiel nas grandes e nas pequenas coisas.

Fora esposa companheira.

Filha exemplar.

Amiga incondicional.

Ser humano especial.

Cristã renovada.

Soubera ser mãe como quem não sabe ser outra coisa tão divinamente. Amou mais do que pôde, que extravasou quaisquer limites, se e que eles existem.

E é por isso. Que neste dia. Parece não haver palavras dignas para tanto.

Foi um tanto rápido. Surpreendente. E eu que nunca pensei em viver sem ti, continuo sem pensar. Porque , na verdade, não quero ficar longe de ti mainha, acho que a vida ficaria mais dura do que ela é. É duro ter que aceitar, ter que despedir, ter que chorar e não te ver por aqui.

E esse aperto aqui dentro? Sem minha mãe pra acalmar?

E essa vontade de desistir, sem minha mãe pra me incetivar?

E esse lamento?

E essa loucura de querer chegar e te ver de longe na porta de casa, como um tímido sorriso e um abraço escancarado pra dizer que chegando em casa nada de ruim me atingiria. Que chegando em casa nos seus braços estaria segura. Que chegando em casa os sonhos eram possíveis, a dor tranqüila e a vida mais feliz...

E nossos sonhos? E nossos planos? E nosso dia a dia? Como será?

Não. Eu não queria sentir essa dor de jeito nenhum. Mas talvez, por estarmos acostumados como você, ela se torne mais doída ainda, porque não nos acostumamos a chorar sem ter você do nosso lado para aparar nossas lágrimas.

Não tivemos tempo bastante para chorar o medo de sentir essa dor. E mesmo se tivéssemos tido, não seria suficiente. Mas se posso nesse momento recordar, resumidamente o tempo que vivestes conosco, recordo da mãe que arrumava suas duas filhas com vestidos iguais pra ir pro colégio. Da mãe que, ao lado do pai, sacrificou-se pra dar do bom e do melhor. Da mãe que nunca se ausentou. Que na pré-escola ou mesmo no ensino médio, adorava reuniões de pais e mestres.

Da mãe que pegou em nossas mãos pra nos levar pra escola, pra missa, pro sítio de meus avós, pra todo canto... da mãe que ao lado do pai, renunciou seus caprichos, se é que os tinha, pra não deixar que nada faltasse, pra dizer que estava ali, pra dizer que podia contar sempre.

Não. Eu não quero acreditar quando o poeta diz que o sempre, sempre acaba. Acreditar nisso agora é a coisa mais dura que eu poderia experimentar. E isso me dói.

Recordo ainda da mãe que, ao lado do pai, juntava trocados suados pra comprar uma roupa melhor pro Natal, pra festa de junho, pro material escolar...pro sorvete.

Lembro de mainha, que, levantara-se varias vezes na noite, ate um dia desses pra ver o sono de suas filhas. Pra ver a quietude do sono de uma menina, que mesmo aos vinte e poucos anos, acordara chorando, algumas vezes. Da mãe que não dormia antes que a sua filha distante te ligasse pra pedir a benção.

Lembro da mãe que sentava conosco pra jogar conversa fora. Da mãe amiga, que falava trabalho, de festas, de namoro...da mãe que na maioria das vezes, se tornava, tal como nós, a melhor amiga de minhas amigas.

Lembro da mãe que não tinha outros sonhos, senão, os nossos.

Lembro de mãe apaixonada. Do zelo interminável. Da paixão sempre viva. Do amor que dedicava ao casamento. Das renuncias. Das juras de amor...e dos beijos encabulados que eu via...mas achava tão bonito.

E agora, já não seria preciso dizer mais nada, a não ser do amor que temos, e da fé, que embora fraca, nos ajudará a entender tudo isso.

Lembro da mãe que, ao lado do pai, fez de todo um coração pra dizer que não havia dificuldade que não pudesse ser vencida. Da mãe que me incentivou a ser quem sou. A querer ser quem sou. E a gostar de ser quem sou.

E agora, eu só queria ter lido pra ti esse texto antes que eu tivesse lido ora todo mundo. Como eu fazia com minha matérias, minhas mensagens, minhas poesias... como eu fazia com essas coisas minhas, que também eram suas. Porque não sei se haverá nessa vida alguém que me incentive tanto como ela fez, alguém que cuide tanto de mim como ela fez, alguém que queira tanto o nosso bem, como ela sempre quis. Não. Não haverá. Mas se não nos tornarmos seres humanos melhores a cada dia, renegaremos tanto ensinamento que ela nos passou...

Faça-nos sentir o seu amor ainda entre nós, para que seja menos doída a nossa vida. E por painho quero que olhes, como sempre, quero que zeles como sempre, que esteja ao lado dele como sempre...e que o amor seja imortal...como nos ensinara.

A gente chora agora. Talvez amanhã também...e depois...e depois...Mas queremos contar com sua lembrança sempre, para que não nos sintamos sozinhos.

Sim, esta doendo. E essa dor é tão grande que já não tenho palavras pra expressar. Obrigada por tudo mainha e por amar nossas qualidades e defeitos, e por nunca desistir de nos fazer pessoas melhores.

Perdão mainha pelo silêncio que ainda restou. Pelo excesso que deixei escapar. Pelos erros que embora corrigidos por ti, cometi-os outras vezes. Pela imperfeição de nossos atos...pela demora em reconhecer sua razão...

Obrigada por tudo. Muito obrigada. Os ensinamentos serão pra sempre...

É verdade que nunca parei pra imaginar como seria a vida sem ti. E noto que minha opinião, foi por todo sempre, tal como a do poeta, quando diz que a mães não deveriam morrer...

Pode ser que depois a gente entenda, mas agora o que a gente mais queria era te ter de novo em nosso meio. Sentar do seu lado. Pegar na sua mão. Dar-te mil beijos, pentear-lhe os cabelos. Rir com a senhora...chorar com a senhora...fazer tudo na certeza de que estarias na porta de casa, abrindo a porta, ou então na ponta da calçada vindo ao nosso encontro...

Eu sei mãe. E vejo que a cada dia vai ser mais difícil sem ti.

E de onde a senhora estiver, antes que nos aplauda como fazias para nos incentivar, fiquemos todos de pé, para aplaudi-la.

E fique com Deus minha mãe, que tua família, teus amigos, e todos aqueles que te admiravam ou ouviram falar de ti, ficarão aqui, rezando pela senhora. As lembranças estão vivas. E nunca vão morrer.

Te amamos.

SAUDADES

Agora só tenho a dor. E o amor que me sobra de todos os lados.